A virada dos agentes de IA em 2025 — o que esperar em 2026

A virada dos agentes de IA em 2025 — o que esperar em 2026
Em 2025 eu vi se consolidar uma nova família de sistemas de inteligência artificial: os chamados agentes — modelos de linguagem que usam ferramentas, interagem com outros sistemas e tomam ações de forma autônoma. Neste texto, faço um balanço do que mudou em 2025, quem esteve envolvido, por que isso importa agora e quais desafios e tendências devemos acompanhar em 2026.
O que aconteceu em 2025
- Consolidação dos agentes: modelos de linguagem começaram a operar sistematicamente com ferramentas externas — navegadores, APIs, bases de dados — atuando como agentes autônomos para tarefas complexas.
- Protocolos e padrões emergentes: surgiram e ganharam atenção protocolos como Model Context Protocol e Agent2Agent, que visam padronizar interações entre modelos e entre agentes.
- Navegadores com IA: navegadores integraram capacidades de agentes, permitindo que assistentes automatizados naveguem na web, preencham formulários e agreguem informações em contexto.
- Ferramentas de orquestração: cresceram plataformas que coordenam múltiplos agentes e fluxos de trabalho, facilitando o uso em empresas e equipes técnicas.
- Riscos e uso indevido: houve atenção significativa para o potencial de agentes serem usados em ciberataques, automação de fraudes e outras ações maliciosas.
Quem está envolvido
Desenvolvedores de modelos, equipes de produto de provedores de IA, mantenedores de protocolos, fornecedores de navegadores e empresas de orquestração desempenharam papéis centrais. Ao mesmo tempo, pesquisadores em segurança e equipes de resposta a incidentes passaram a monitorar o impacto prático desses agentes. Também surgiram atores com intenções maliciosas explorando automação avançada — um fator que acelerou debates sobre controle e defesa.
Por que isso é relevante agora
Eu considero três motivos principais para a relevância imediata desses avanços:
- Escala e autonomia: agentes permitem automação de tarefas que antes exigiam supervisão humana contínua, ampliando eficiência mas também superfície de risco.
- Integração direta com o mundo digital: navegadores com IA e orquestração conectam agentes a sistemas reais (sites, APIs, bancos de dados), transformando comportamentos experimentais em fluxos de trabalho operacionais.
- Risco sistêmico: a combinação de autonomia e integração cria vetores para abuso em cibersegurança, exigindo respostas coordenadas entre indústria, pesquisadores e reguladores.
Impactos práticos e tendências para 2026
Ao olhar para 2026, eu antecipo algumas direções práticas a partir do que se consolidou em 2025:
- Padronização e interoperabilidade: protocolos como Model Context Protocol e Agent2Agent devem ganhar implementação mais ampla, reduzindo atrito entre agentes e serviços.
- Melhoria nas ferramentas de orquestração: plataformas ficarão mais robustas para coordenar agentes em cenários empresariais, com melhores controles de segurança e auditoria.
- Evolução das defesas: equipes de cibersegurança irão desenvolver detecções e contramedidas específicas para atividades automatizadas de agentes.
- Pressão por governança: haverá demanda crescente por políticas, normas e benchmarks que definam comportamento aceitável, métricas de segurança e critérios de avaliação.
Desafios de avaliação e governança
Um dos pontos que mais me preocupa é a ausência de métricas e benchmarks consolidados para agentes. Avaliar desempenho deixou de ser apenas medir acurácia textual: é preciso avaliar segurança operacional, eficácia ao usar ferramentas, comportamento emergente e resistência a usos indevidos. Isso exige trabalho conjunto entre pesquisadores, fabricantes de modelos e reguladores.
Além disso, governança deve abordar responsabilidades (quem responde por ações automatizadas), transparência (como auditar decisões de um agente) e limites operacionais (quando bloquear ações autônomas). Sem respostas claras, a adoção em setores sensíveis continuará lenta ou, pior, exposta a riscos evitáveis.
O que eu recomendo acompanhar
- Implementações e adoção de protocolos interoperáveis entre agentes e serviços.
- Novas ferramentas de orquestração que tragam logs, controles de acesso e mecanismos de revisão humana.
- Desenvolvimentos em detecção de abuso e mitigação de ataques automatizados.
- Iniciativas de benchmark que incluam segurança operacional e comportamento sob adversidade.
Conclusão
2025 representou a virada: agentes de IA deixaram de ser experimento e passaram a integrar fluxos de trabalho reais, com protocolos, navegadores e ferramentas de orquestração se tornando pilares dessa nova etapa. Eu acredito que 2026 será o ano das respostas — padronização, melhores métricas e defesas — necessárias para equilibrar ganhos produtivos e riscos. A vigilância, colaboração entre atores e desenvolvimento de governança prática serão determinantes para que os agentes cumpram seu potencial sem abrir espaço para danos sistêmicos.